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Pais e Mães e a criança ferida


Embora eu não seja mãe, e não pretendo ser, eu atendo e consigo contribuir com muitas mães/pais e filhos que constantemente vivem me pedindo para criar uma Jornada a respeito dessas relações. De como podem todos melhorar e harmonizar, de como solucionar problemas, ter uma nova consciência.
Eu não sinto vontade de fazer isso, mas resolvi escrever algumas coisas para ajudar.
Abaixa as barreiras da reatividade e leia até o final. Vai valer a pena essa reflexão.
Não se sinta acusado ou julgado, apenas tome consciência e veja de faz sentido mudar a percepção e fazer diferente.


Com certeza, a maioria dos pais e mães, querem dar aos seus filhos aquilo que não tiveram.
Principalmente uma educação diferenciada, mais centrada, protetora, firme, acolhedora e amorosa.
E, obviamente querem que seus filhos confiem neles.

Porém eu me atrevo a criar uma porcentagem aqui na minha cabeça, que quase 100% de pais e mães são tomados/dominados por desesperos e preocupações (que inicialmente só existem em sua tela mental).
Se deixam ser levados por isso e acreditam estarem agindo por amor, enquanto na verdade, estão agindo com desequilíbrio e através de suas dores (ou de suas crianças feridas não curadas). E uma ação feita com dores, só pode resultar em mais dores. Estão apenas perpetuando o sofrimento e disfarçando de amor e cuidado.

Você quer realmente criar um bom ser humano e ser o melhor para seu filho?
Se cure primeiro, vire adulto primeiro. Você pode ter 70 anos e ainda assim estar agindo feito criança, imaturo, inocente, reativo e birrento.

Vou dar um exemplo, a respeito da confiança que é de extrema importância.
A confiança é construida muito, muito cedo na infância. Por vezes, sequer percebemos isso.
São nos momentos mais difíceis, de caos total, de imensa preocupação, que você deve tomar as rédeas da maturidade e agir com amor.
O amor constrói a confiança. A criança aprende a confiar em você, quando não é julgada e sim acolhida e ouvida em seus piores momentos.
Quando você briga, reprime, acusa, perde o controle na hora da birra/teimosia, você vai destruindo esse elo e aos poucos a criança não se sente mais confortável e segura em te contar as coisas por medo da sua reação.
Algumas se calam, outras ficam reativas, outras se escondem, outras mentem... e você fica levando a criança em psicólogo achando que tem algum problema com ela. Aaaa porque meu filho é tão agressivo, meu filho é tão calado, meu filho isso, meu filho aquilo.... mas você não olha para si mesmo, não se cura. E normalmente começa a se culpar, o que não serve para absolutamente nada, apenas para deixar a criança se sentindo responsável pelos SEUS sentimentos. Por que acredite, as crianças percebem e sentem as coisas por mais que você tente esconder e fingir que está tudo bem.

É natural que as crianças reajam assim: o espaço, o território delas foram ameaçados pela sua imaturidade, e assim como todo ser humano, elas tem seus mecanismos de proteção e vão reagir de alguma forma: lutando, fugindo, se escondendo, paralizando...
Seu filho não dorme a noite? É porque ele sente que precisa ficar alerta, existe alguma "ameaça" e ele não pode se permitir descansar pois a qualquer momento precisa se defender. (Você reconhece isso em você???)
Seu filho faz xixi na cama? Ele está demarcando o território pois, de novo, tem alguma ameaça, e um dos mecanismos biológicos é impor seu cheiro ali para qualquer agressor externo se afastar.
(São apenas exemplos do que pode acontecer, não necessariamente é por falta de confiança).

Continuando... quando a criança estiver te contando qualquer história, segura seu momento e não interrompa. Ouça sem se meter, sem fazer observações e querer 'educar' ou impor suas preocupações, julgamentos, lições de moral e ponderações, sem fazer cara feia ou ficar brava e muito menos, sem julgar. Apenas ouça com atenção, se conecte com ela, demonstre seu interesse genuino em saber como ela se sente, permita que ela se expresse da forma como ela conseguir naquele momento. Você é adulto, não tem que reagir! Seus medos e preocupações, são criações suas, não delegue para a criança. Nem você está sabendo lidar com isso, imagine seu filho que ainda está se construindo.
Aaaaa Flávia, mas eu preciso......... PRECISA NADA! Você vai ter seu momento de orientar e direcionar, com AMOR e respeito pela integridade e individualidade de seu filho.

Agradeça por ter compartilhado e confiado em você, e perceba o que se faz necessário agora, se é acolher, abraçar, confortar, orientar, falar baixo e demonstrar compreensão. Seja o PORTO seguro e a calma quando tudo está turbulento.
Na hora de uma birra, demonstre amor, escuta e acolhimento, mostre que você VÊ essa criança, perceba que a criança está se sentindo naquele momento vulnerável, frustrada, estressada, incomodada, angustiada, com medo... não é sobre mimar e passar a mão na cabeça. É sobre entender que você é o adulto estável, mesmo que você não seja tanto assim hehe, mas é segurar a onda e buscar o equilíbrio dentro de você.
Você escolheu dizer SIM para essa vida e para toda responsabilidade que essa escolha gerou.
Perceba que, nos momentos de caos, a criança tem um mix de sentimentos turbulentos, como os que eu citei acima. Nos momentos de perigo e também os importantes, agora e quando ela estiver adolescente, são esses mesmos sentimentos que irão surgir. Se no momento da birra, do mau comportamento, por exemplo, você reagir, gritar, reprimir, oprimir, brigar... a criança vai entender que ela não pode confiar em você por medo de sua reação, então não irá te contar coisas mais graves, coisas mais íntimas quando esses mesmos sentimentos vierem à tona em outras situações...o elo da confiança se quebra, e o que você mais quer que é segurança e proteção para seu filho, foge de suas mãos.

E perceba também além disso tudo, da sua relação com seu filho, como você está agindo atualmente como uma criança ferida, que não foi vista, acolhida, ouvida, compreendida, que foi oprimida, repreendida, reprimida... se tornando reativa, paralizando, escondendo, fugindo, lutando, mentindo, quando sentimentos de medo, angústia, frustração, vulnerabilidade ameaça vem à tona.
Você não pode voltar lá atrás e obrigar seus pais a te amarem, te escutarem, te acolherem... mas agora que você é adulto, tem autonomia e responsabilidade pela sua vida e pode fazer isso por si mesmo. 


Por Flávia Borges Magalhães


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